domingo, 26 de junho de 2011

Venha, que o que vem é perfeição

Minha história com a Legião Urbana começou no dia em que disse para um colega de classe - um daqueles meninos que usam camiseta preta de alguma banda de rock e tocam violão - que eu não entendia o porquê das pessoas gostarem tanto de Legião Urbana.

Um ano depois, assistindo a uma série especial da Globo, ouvi "Tempo Perdido" pela primeira vez. Prestei atenção em cada verso da música e depois fiquei relembrando as palavras para não esquecer. Quando descobri que era Legião, me lembrei do menino tocador de violão e comecei a entender a razão pela qual era a foto do Renato Russo que estampava a camiseta dele e de tantos outros garotos...

"Tempo Perdido" é uma canção triste, assim como muitas da Legião. Ouvir essas músicas me ajudou a entender, ou pelo menos começar a aceitar, que a dor é necessária. Em uma das minhas agendas havia um pensamento que dizia que só consegue valorizar a alegria quem já conheceu a tristeza. Isso sempre me fez sentido. Anos mais tarde eu aprendi que o amargo me faria reconhecer o doce.

Para além da tristeza, o que me fez gostar de Legião e ir em busca de outras músicas eram as letras. O mais divertido era quando eu descobria um verso ótimo em uma canção que eu já tinha ouvido várias vezes. Foi assim com "Perfeição", que começa com toda aquela revolta e ironia, mas termina em uma estrofe quase mágica.
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é perfeição...
Outro verso que me fez pensar, dessa vez na minha relação com os meus pais, e entender que eles estavam tentando fazer o melhor que sabiam foi "Pais e Filhos". Me lembro até hoje como minha mente se abriu quando eu ouvi:
Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer
Eram os meus amigos do cursinho pré-vestibular, na querida Cooperativa do Saber, que me vinham à mente quando ouvia "Teatro dos Vampiros". Cada um deles com seus sonhos, escolhendo o curso e a universidade onde gostariam de estudar, fazendo simulados quase que de segunda a segunda, desejando dar orgulho aos pais e à família. Foi, sem dúvida, um dos melhores anos da minha vida. Foi ali que eu comecei a aprender como eu poderia fazer a diferença na vida das pessoas.
Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos

Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas

Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir...
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.
E já que eu não posso colocar aqui todas as músicas que eu gosto da Legião com as devidas explicações e situações (porque seria um post gigantestco), coloco apenas mais uma. Não é a minha predileta, porque não saberia escolher apenas uma, mas tem um trecho de um dos capítulos da Bíblia que mais gosto: 1 Cor 13 (além do belo soneto de Camões). "Monte Castelo":
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece

(...)

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

De "Há Tempos":
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem

De "A Via Láctea":
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz...

De "Quase Sem Querer":
Já não me preocupo se eu não sei por que
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Post dedicado a Renan Uchoa

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Medo de dirigir?

Acabo de ler um bom texto da revista piauí, daqueles que eu gostaria de ter escrito. Compartilho aqui para eu me lembrar de que tipo de história gostaria de contar.

É uma reportagem sobre pessoas que, embora tenham carteira de motorista, têm medo de dirigir. E acabam voltando à escola para superar a aflição de conduzir um carro.

Eu mesma já cheguei a cogitar a ideia de procurar um desses estabelecimentos para praticar a arte da direção de veículos. Embora tenha tirado minha carteira de motorista em março, de lá para cá raras foram as vezes em que dirigi. Não por medo exatamente, mas por não ter um carro.

O único carro que posso, quem sabe, ter a chance de pilotar é o do meu pai, justamente o único veículo que eu não me permitiria bater na vida (porque é do meu pai e eu não quero criar uma crise entre nós, já foram tantas...).

Enquanto não junto dinheiro e coragem para dar entrada em um fiesta 99, um verona 94 ou um versailles (o carro dos meus sonhos de criança) também 94, fico aqui lendo sobre motoristas medrosos e contando com a sorte para não ser um deles.